| BIO |

A Rosa é senhora do seu nariz, e mandona de mais outros seis. Entre um marido, cinco filhos, um cão, e meias no chão, vive uma família: Os adorados e Amados, de seu nome.

Se a porta não estava aberta, nem reparei, tão bem que me fizeram sentir “vinda”. Isto porque, pura e simplesmente, se limitaram a estar como estavam; a ser como são: Uns com a mão na massa, outros de talheres em punho à espera das panquecas, a manhã de domingo ainda estava no forno, e o dia não prometia ser coisa nenhuma, senão aquilo que fosse.

É a regra que impera nesta casa e se faz ouvir mais alto, por cima dos pedidos para apanhar a roupa do chão e deixar a loiça na máquina: O importante jamais se arruma, e o momento é para ser comido até ao fim.

Lá me sentei à mesa, para ouvir as piadas secas do Manuel, e as bocas dos outros; conhecer a história que uniu o João e a Rosa, e que, mais tarde, se desdobrou em cinco densos capítulos, cada qual digno de romance completo.

Não sobrou migalha das panquecas que nem dois minutos duraram na mesa, mas trouxe comigo inspiração a transbordar e a certeza que, sabendo lá qual seja o final, há mesmo “por enquantos” felizes. E só essa verdade é de saber e chorar por mais.

 

“Nem tudo é possivel, mas fonix, podemos tantas coisas, mesmo quando achamos que não podemos nada.”

 

 

| QUEM ÉS TU? |

Rosa Amado do rabo queimado [Risos]. Sou feita de sonhos, de festas e foguetes; de um sofá, com uma manta e um filme; do silêncio de uma noite ao luar; de panquecas de aveia com banana e de 6 outros corações contíguos de vida em mim.

 

| QUEM É O TEU GANG? |

Os mais que temidos: Los Amados.

O João: Meu amor e penico voador. O pai de todos, fura bolos e mata piolhos.

Depois vem a Tanica: Artistas das emoções, crescida que dói, com uma gargalhada contagiante.

A seguir é o Manuel (Né): O organizado, que gosta de ajudar tudo e todos. Quer ser o melhor do mundo, só que ainda não sabe que tem tudo o que precisa para isso.

No meio está o Zé-Magia: De ar achinezado derrete corações de norte a sul e consegue tudo o que quer.

Quase no fim está o Xavi: O bom rebelde. Guarda o melhor de si para os seus; a olhos  estranhos parece ter espinhos.

Por último, temos o Martim (Tiniwi). Este ainda precisa de tempo para nos dizer em que nave espacial vai querer entrar quando, a vida o permitir.

Ah, e caso o programa inclua patudos, temos a nossa cadela: A Belém, loira surda e peluda mas disposta a tudo para nos proteger (e para ter uma bolacha em troca).

 

 

| DE QUE MATÉRIA É FEITO? |

Do carisma de cada um e de pernas que correm atrás da felicidade, todos os dias.

 

| ES PÉ DESCALÇO OU PÉ CALÇADO? |

Dos dois. Dependendo do mood, do tamanho da pegada e da largada com que me fizer ao salto.

 

| O QUE TE FAZ TREMER DOS PÉS À CABEÇA? |

Histórias de amor e amores perdidos. Tudo o que nos derrete, e não só as histórias de namorados.

Perder tempo a ouvir esta história e a outra, e ainda ter tempo para ir atrás de mais.

Encontrar boas narrativas nos sítios mais inóspitos e, aí, criar amizades.

 

 

| O QUE TE FAZ SALTAR A PES JUNTOS? |

A adrenalina do salto, a entrega na descida e o pó que se levanta no impacto. Tanto em mim, como nos que andam por perto.

Para mim, esse impulso passa por entrar na loucura de cada um, na sua paz, e em abrir caminho.

Também passa muito por contribuir para a felicidade das realidades dificeis com que nos cruzamos na vida, porque, afinal, somos mesmo uns sortudos.

Passa por tentar nunca desfazer a mochila na esperança de apanhar o proximo comboio.

E por fim, passa por aceitar que nem tudo é possivel, mas fonix, podemos tantas coisas, mesmo quando achamos que não podemos nada. Esta tem sido, para mim, uma das melhores lições da vida.

 

 

| QUAL FOI O CHÃO MAIS ESPECIAL QUE JÁ PISASTE? |

Tchiii… Tanto chão que já passou por estes pés… Mas os melhores de todos, serão sempre os que chamei casa.

Apesar disso, há milhares de tantos outros onde também me perdi:

Em Maputo foi onde eu e o João nos lançamos na loucura de um amor e uma cabana.

Em Lisboa assentámos o ninho e aprendemos que se pode descobrir muito deste mundo, a partir do sítio onde nascemos.

Na Costa Rica, o mel também foi muito. Atravessámos o país num carro estampado com corações, só para o João ter a certeza que sabia ao que ia.

Em São Tomé, onde fomos com os nossos dois primeiros filhos, descobrimos o estado bruto na natureza.

Em Paris para estreamos os mais novos aos voos de avião, e na Tailândia, onde alugámos casa 3 meses.

E ainda dizem que o melhor ainda está pra vir. Às vezes custa acreditar.

 

 

| ONDE SONHAS METER O PÉ? |

Sonho meter o pé no máximo de sítios possível e tirar um bocadinho de bom, de cada um.

Se tiver de escolher só um: A Índia e tudo o que esconde atrás de cheiros, cores e sabores. É um sonho antigo que está dificil de arrancar ao meu marido.

Juntos, sonhamos largar tudo, pegar nos miúdos e viajar durante um tempo. Ir por aí, sem entrar em muitos museus mas a conhecer muitas vidas. Debatemos em voz alta, percursos e caminhos. Não sei se algum dia teremos coragem suficiente… Muito por causa das saudades que iríamos ter das nossas pessoas daqui.

De resto, cá dentro, sonho meter o pé em todas as portas que cheirem a pitéu.

 

 

| QUAL FOI O TEU MAIOR PASSO? |

Comprar um bilhete, largar todas as certezas e agarrar-me à maior de todas: Aquele amor recente que nos levou para outro continente.

Sem darmos por isso, lá estávamos nós em Maputo, com as mãos cheias de nada e os corações a rebentar.

Foi a nossa primeira casa. Juntámos dinheiro e fomos numa de “voluntários”. Andámos à procura de causas em que pudéssemos dar uma ajuda, e até encontrámos algumas, mas a verdade, é que a maior de todas, acabou por ser a nossa.

Foi um desafio, aprender a começar do zero, numa terra de calor e gente boa.

Aos fins-de-semana, enchíamos o carro, preparávamos uma “bucha” para o caminho, e acabávamos numa cabana à beira-mar.

Tanta coisa linda, ao longo daqueles quilómetros de costa. Fizemos grandes amigos, conhecemos gente incrível; crescemos muito e acabámos noivos para casar.

Foi a aventura que lançou a pedra às loucuras que se seguiram.

 

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| QUE SONHOS TE TIRAM OS PÉS DO CHÃO ? |

Todos os que precisem de um bocadinho de loucura e de algum terreno que se estenda fora da zona de conforto. Mas principalmente, os que me fizerem saltar o coração.

Gosto de acreditar que, não podendo mudar tudo, podemos fazer a nossa parte. É isso que me levanta: Quanto mais faço, mais tenho vontade de fazer.

Envolvo a minha família em tudo, está claro. E eles também me envolvem a mim, nos seus projetos.

Se o meu bolso não tivesse fim, sonhava andar pela rua a dar asas aos sonhos de quem tem muito menos, e precisa de um empurrão para voltar a ser feliz. O génio da lamparina que não se foque só no material, ahah. Acredito que, este, seja o sonho de muitos. Sendo assim, é o meu também.

 

 

| QUAL É A TUA PEGADA? |

Gostava de acreditar que melhor que a anterior, sempre que possível. E, quando assim não for, que haja amor para ajudar a que a próxima seja melhor.

Aos meus filhos, quero deixá-la segura, para que, quando não estiver aqui para dar o proximo passo, eles consigam ver bem para onde segue o caminho.

 

| PARA ONDE É QUE CAMINHAS? |

Para onde o meu Gang me levar.

Ando à procura de amor qualquer, do o trilho que me ponham na frente. Onde não tiver muito a acrescentar ou paro só para curtir, ou não me demoro.

Caminho para onde houver gente gira no percurso. Quem vê almas não vê corações.

 

 

| O QUE LEVAS NA MALA? |

O coração, os olhos, os ouvidos e as mãos, que, às vezes, dão jeito. A boca dá mais jeito ainda. Bem encaixadinha, pode ser que me leve mais longe.

Meias, cuecas e uma escova de dentes. Creme, para poder levar com o sol de frente e o casaco mais quente do mundo, que detesto ter frio.

 

| O QUE TRAZES DE REGRESSO? |

Todas as pessoas com que me cruzei pelo caminho.

Um bocadinho do pó que levantaram em mim: São emoções que voltam sempre que a vida parece meio que parada.

Ah, e trago sempre aquela semente tramada, de planear a próxima escapada.

 

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2 comments

  • Delicioso. Revejo-nos na plenitude desta estória… 4 filhos em 3.5 anos… 3 continentes… 1 volta ao mundo a dois… um desejo de nao desfazer a mochila para apanhar o próximo comboio.
    Parabéns pelo tesouro que construíram.

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