“Sorte por ter tido a resposta à coragem de termos pegado nas miúdas e saído da cidade, com vidas supostamente mais confortáveis e empregos bem remunerados, para vir reaprender, cavar, errar, construir, desenhar, arriscar”

Nem eu sabia que ia sair de Aljezur, com dois amigos, que é só o lucro mais tangível desta vida. O meu propósito era fazer um artigo completo sobre Glamping em Portugal, artigo esse que cresce na proporção dos amigos que vou acolhendo. Mas nós que andamos a palmilhar trilho e lugares sabemos, que mais do que sítios, quando o lugar é feito da matéria do sonho de quem o construiu, chegamos às pessoas.

Pero de Aljezur, a caminho da Serra de Monchique, perdidos num gps de serradio, lá encontrámos a Alma da coisa.

Algumas perguntas, que adorava que respondessem sem filtros, igual às unhas dos pés num dia de muita lavoura.

  • Quem são a Joana e o Mário?
  • Sentem-se a realizar um sonho?
  • Quando é que vos bateu a urgência da vida?
  • O que é a Quinta D´Alma?
  • O que é que as pessoas “ganham”/“descobrem” no vosso lugar?
  • É assim tão importante fazer diferente?
  • O que é para vocês um cumulo de felicidade?
  • Onde é que a espiritualidade entra no negócio, se é que entra?
  • Vêem-se a eternizar-se aí?
  • Um conselho que vocês possam dar a quem hesita.

Quem são a Joana e o Mário?

A Joana e o Mário são realizadores de sonhos e ideias. Ambos com espírito muito empreendedor ao longo da sua vida dedicaram-se a diferentes projectos tentando trazer sempre mais valor para um mundo melhor, sustentável e mais justo e harmonioso com o todo. Mesmo quando passaram por empresas grandes. 

Guardaram a visão do que seria a Quinta Alma, como um tesouro-semente. E assim que se juntaram, tudo começou a crescer e a florir.

O Mário é muito dedicado a todas as arquitecturas que possam erguer a Quinta Alma, desde o seu esqueleto físico, à sua comunicação. A sua grande paixão, a sustentabilidade, é alimentada nos jardins comestíveis e na floresta. Alimenta a paixão,  e com isso alimenta-nos a nós todos.

A Joana, nutre a sua paixão, que são as pessoas, a sua evolução, e o seu bem-estar. Por vezes é difícil ter fé na humanidade, por isso acredita que quanto mais as pessoas se recordam que fazem parte da Natureza, mais em paz se sentirão.

Fiel ao chamado da Mãe-Terra, caminha na vida como se fosse uma grande viagem. O sorriso de cada pessoa é guardado como uma relíquia na sua bagagem.

Sentem-se a realizar um sonho? 

Um sonho não sabemos, por vezes parece que mais a única realidade possível para ser plenos… Mas muitas vezes sentimo-nos abençoados. Pela sorte em termos encontrado este cantinho que tão bem nos tem recebido e dado eco ao nosso “cry for nature”. Sorte por ter tido a resposta à coragem de termos pegado nas miúdas e saído da cidade, com vidas supostamente mais confortáveis e empregos bem remunerados, para vir reaprender, cavar, errar, construir, desenhar, arriscar. Esta coragem foi motivada por coisas que encontrámos nesta mudança de vida e que hoje, mais do que nunca, reconhecemos como fundamentais para a nossa caminhada como indivíduos, em família e na comunidade: ar puro, tranquilidade, bio-ritmo, auto-suficiência e partilha.

Quando é que vos bateu a urgência da vida?

A urgência da vida veio da consciência de quando nos tornamos pais e com os filhos. E temos que responder à pergunta: “quais são os valores e o exemplo que lhes queres dar?”

Isso fez-nos reflectir profundamente sobre o estilo de vida que levámos connosco durante quase metade da nossa vida.

Sentimos que a resposta estava numa vida mais próxima da Natureza, mais próxima de uma comunidade de não-anónimos, num estilo de vida mais simples e mais humilde. Mais em comunhão com os elementos da natureza, inspirados na sua capacidade criativa e criadora.

Parece que fazemos parte do movimento migratório ao contrário. Aquele que sai das cidades para o campo contrariando as razões que levaram as pessoas a migrarem para as cidades. No campo controlamos menos as variáveis, estamos mais à mercê dos elementos da Natureza. Por isso também levamos volta e meia um banho de humildade e de entrega. E isso faz bem.

Mas tudo isto faz bem e é possível, numa reinvenção da vida no campo, pois estamos conectados ao mundo pela internet e perto dos banhos de cultura esporádicos através da proximidade que as vias de comunicação modernas permitem.

O que é a Quinta D´Alma?

Quinta Alma! :)) Não é D’Alma

Esta nuance faz diferença. Não é uma Quinta onde a Alma pertence ou uma Quinta que pertence à Alma mas uma Quinta que eleva a Alma. 

A Quinta Alma é para nós um espaço de inspiração (pela Natureza). Eleva-nos a Alma à Quinta Dimensão. Não terá tanto a ver com o Quinto Império da Lingua Portuguesa mas talvez mais com o Império da Natureza.

A Quinta desempenha um duplo papel e sentido mas muita gente diz isto… Quinta D’Alma. Por isso, se calhar tenho que falar com o Brand Manager…

O que é que as pessoas “ganham”/“descobrem” no vosso lugar?

Sopas e descanso. Sopas de comida saudável e servida com amor e carinho. Sopas também de natureza, de inspiração.

Descanso de poder parar num lugar que nos expõe de forma confortável com os elementos da natureza.

Quando se pára e de descansa no meio da Natureza, num registo confortável e simples, não precisamos de grandes gurus nem de grandes yogas. A meditação vem por si pŕopria e o retiro faz-se. Por isso muitas vezes convidamos as pessoas a virem “retreat yourself”.

É assim tão importante fazer diferente?

Fazer diferente é importante se for relevante e acrescentar algo de bom. Ou impedir algo de mau.

O que fazemos tentamos que seja respeitoso do meio ambiente, que acrescente melhor humanidade aos humanos que nos visitam e que nos inspire a todos a ser mais auto-suficientes e conectados com a comunidade. 

Isto não deveria ser a diferença, mas a norma.

O que é para vocês um cumulo de felicidade?

É entender qual é a nossa função na Natureza e na Sociedade e depois desempenhá-la bem com amor, paixão e responsabilidade. Julgo que essa é a base para viver e morrer feliz. Realizados de que a nossa existência neste plano, acrescentou algo de positivo à Humanidade e à Natureza.

Há vários cúmulos, ou cumes uma vez que vivemos uma serra inteira de bênçãos.

Dois dos favoritos são: as coisas funcionarem bem, as plantas acrescerem, a água a funcionar, a energia… Parece básico mas uma vez que tudo é feito por nós com a ajuda dos elementos, dá muito trabalho, e deve ser celebrado.

O outro cume nesta serra de felicidade, é ver o estado em que a maioria das pessoas sai desta nossa terra. A brilhar. Sem tensão. Inspiradas. Confirmando que o nosso esforço é o certo. E quando há casos mais difíceis de pessoas que nunca tiveram assim, embrenhadas e abraçadas pela natureza, e sentem-se por vezes até com medo, focando-se no desconforto… E após dormirem, a magia acontece e saiem tantas vezes tão agradecidas e surpreendidas. Integradas, com a promessa de voltar em breve, e querendo trazer mais família e amigos…. Ahhh… Isso sim é um Himalaia de felicidade!

Onde é que a espiritualidade entra no negócio, se é que entra?

Bom… A palavra espiritualidade é um bocado ingrata, pois nunca se sabe como é entendida por quem ouve ou lê.

O espírito para mim é como o sussurro do coração. É a energia sempre ligada à fonte. Que tanto está, bem dentro de nós, como em nosso redor. É o Eu maior e que se liga a todas as coisas e outros Eus.

Quando estamos ligados à Fonte, e ao Coração, não há nada que se possa fazer sem o nosso espírito estar presente.

Quando o nosso trabalho tem a ver com o nosso propósito maior, todo o universo conspira a nosso favor e vai mantendo um diálogo de afinamento pelo caminho. 

A sustentabilidade passa também pela boa saúde do negócio. Temos de escutar, estar atentos, afinar, e por vezes também fazer algum esforço extra em modo sacrifício, mas atenção: rapidamente dá fruto e sinal que está certo. Essa saúde do negócio / projecto é como uma bússola a comprovar o bom caminho. Isso e a leveza no coração.

Não sei se a espiritualidade é a melhor expressão mas a elevação do espírito entra na nossa visão. E o negócio alimenta a capacidade económica necessária para manifestar a nossa visão.

A elevação do espírito tem a ver com esta vontade de fazer o bem, de nos questionarmos constantemente se o que idealizamos e queremos manifestar ajuda a uma melhor humanidade, em comunhão, respeito e amor pela Natureza e por todos os seres.

Vêem-se a eternizar-se aí?

Sim. Até morrer. As raízes estão a crescer. E a Alma a ampliar.

Um conselho que vocês possam dar a quem hesita.

Quem hesita tem razões para tal. O conselho é parar e entender essas razões e perceber se a hesitação faz sentido.

Depois de entendermos as razões, já não há motivo para se hesitar mas sim para se decidir pela melhor escolha individual.

Agora, o que sabemos é que muitas vezes não é fácil parar para entender as razões da inquietação e da hesitação. Se calhar ir para a Natureza passar uns dias, desligar e reconectar é um bom processo para passar da hesitação à decisão.

Estamos cá também para ajudar a tirar dúvidas e a esclarecer questões.

Avaliação

Impacto Emocional

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Impacto Cultural

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Dimensão Familiar

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Paisagens do Caraças

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Comer de Chorar por Mais

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E Isto Custa

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Mínimo Noites:

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Nome do Local: QUINTA ALMA

Morada: Sitio do Trancao, Sítio do Trancão, 8670-052 Aljezur

 

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