“(…) Sou o tipo de pessoa que gosta de sentir o chão que pisa.”

 

| QUEM ÉS TU? |

Vindo da geração de 93, passei os meus primeiros 5 anos de vida, numa pequena quinta na Nazaré.

Não tínhamos casa de banho, mas tínhamos ovelhas, cabras e uma vista de meter inveja. Foram estes tempos que me fizeram conectar com a natureza.

Todos os dias tínhamos algo novo e diferente para fazer; as caminhadas com o meu avô e as brincadeiras na lama eram frequentes.

Sempre tive um gosto muito geral: seja ciências ou artes, ando sempre curioso e procuro saber mais. Quando era mais novo, os meus presentes preferidos eram enciclopédias, em vez de brinquedos.

Mais tarde, ganhei um gosto enorme por arquitetura, e segui artes visuais durante o secundário. Mas esse gosto foi-se embora, para dar lugar a outro: O vídeo.

 

 

Aos 15 anos comecei a fazer parkour. Todos os dias editava vídeos, filmados com uma máquina compacta de 5 mpx.

Foi assim que começou a história da minha carreira. Desde então, tenho-me mantido na área, retratando o que existe ao meu redor.

 

 

| QUEM É O TEU GANG? |

Acima de tudo, considero-me um forasteiro. Amigos, família e quem, por curiosidade, aparecer na minha vida. Somos 7 biliões de pessoas, há muitos outros gangsters para conhecer!

 

 

| DE QUE MATÉRIA É FEITO? |

Em modo default a ciência diz que somos feito de átomos. Mas, ao longo do tempo, vamos provando que somos feitos de algo mais.

 

| ÉS PÉ DESCALÇO OU PÉ CALÇADO? |

Desde que me lembro que sou um pé descalço. Quando, em criança, ajudava a minha família a passear os animais, fazia-o sem nada calçado. Muito provavelmente, porque não tinha muitos ténis, mas era como me sentia bem. Cheguei a cortar os pés com vidros, mas ia a casa meter um penso-rápido e voltava para a rua de seguida.

Hoje, ainda sou o tipo de pessoa que gosta de sentir o chão que pisa.

 

 

| O QUE TE FAZ TREMER DOS PÉS À CABEÇA? |

Curiosamente sempre tive bastante ansiedade, então, quando há novas experiências ou desafios para me pôr à prova tremo um pouco, mas faço uma entrada a pés juntos.

 

 

| O QUE TE FAZ SALTAR A PÉS JUNTOS? |

Conhecer o desconhecido, não consigo estar no mesmo sítio durante muito tempo. Mais de dois dias a fazer o mesmo, torna-se uma rotina, aborreço-me. Há uns meses encontrei uma frase num livro que me identifico bastante; “The more lost I am, the more alive I become”.

 

QUAL FOI O CHÃO MAIS ESPECIAL QUE JÁ PISASTE? |

Sou um pouco contra a ideia que temos que sair do nosso país para encontrar sítios bonitos e especiais.

Em 2015, andei à boleia pelo norte do país em busca de algo, encontrei-o no Geres, cada vez que lá estou só consigo sorrir, sinto-me pacifico e sereno.

 

 

| ONDE SONHAS METER O PÉ? |

Desde que lembro, a Mongólia sempre apareceu na minha vida, a começar pelas enciclopédias que colecionada, pelos programas de televisão que via, até revistas que lia.

A Ásia central e Himalaias são algo que sempre me cativou, não sei como, mas cativou. A juntar, tenho enorme curiosidade pela Polinésia, Noruega (onde mora o meu irmão) e pela África sub-sariana.

O ano passado foi-me proposto um estágio com uma produtora, eram 3 meses pela Namíbia. Na altura estava com outras prioridades na vida. Foi das decisões mais difíceis que tomei.

 

 

| QUAL FOI O TEU MAIOR PASSO? |

Em 2014 desmaiei no restaurante onde trabalhava, e em 3 semanas perdi 30-40% de sangue. Posto em termos mais claros, quase “bati a bota”. Mais tarde, descobriu-se que tinha um tumor intestinal, em estado agravado.

Depois de recuperar, andei um pouco à deriva e agarrei o que na altura me fazia sentir bem: A fotografia e a natureza.

Uns meses depois decidi meter-me à boleia pelo norte do país, para me pôr à prova e certificar-me do que era capaz, e um pouco para encontrar algo.

Desde então tenho lá voltado todos os anos, para celebrar um dos momentos mais marcantes da minha vida.

 

 

| QUE SONHOS TE TIRAM OS PÉS DO CHÃO ? |

Sempre que digo qual é o meu sonho, as pessoas mandam aquele riso. Gostava de subir o Evereste.

O que me tira os pés do chão é o facto de não parar de os mexer; é a vontade que tenho de chegar ao fim do dia com um sorriso na cara; é o viver o momento.

 

 

| QUAL É A TUA PEGADA? |

Espero conseguir criar alguma mudança neste mundo. Devemos muito ao planeta em que vivemos, e, todos os dias, somos confrontados com crimes contra o ambiente.

Há 3 anos, iniciei um projeto de exploração e documentação das áreas protegidas em Portugal, com o objetivo de dar uma nova luz ao que temos.

 

 

| PARA ONDE É QUE CAMINHAS? |

A minha vida é um labirinto. A vida, no geral, é sempre um labirinto, para dizer a verdade; nunca de sabe bem qual caminho escolher, mas, neste momento, pretendo ir pelo caminho certo.

Andei uns tempos sem saber o que fazer da vida, mas, felizmente, encontrei algo que me fizesse ir em frente:  O meu desejo é continuar a testar os meus limites de criatividade e aumento o patamar (em termos de aventura).

A sensatez diz-me para ficar por cá e lutar pela preservação do nosso património ambiental. Por outro lado, a minha costela aventureira diz-me para agarrar na mochila e ir,  até não sei onde.

 

| O QUE LEVAS NA MALA? |

Uma maquina fotografia, boa disposição, muita curiosidade e vontade de viver.

 

| O QUE TRAZES DE REGRESSO? |

Experiências, experências e experiências. Somos um livro aberto, bora lá escrever mais umas paginas!

 

 

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