Aprendi que viajar sozinho é das melhores experiências da vida. .”

 

 

Nem sei como é que conheci o Pedro para ser franca. Acho até que foi em contexto de trabalho, mas não o consigo associar a nenhuma reunião, só se tivesse sido na TAP ou nos Emirates e não me parece menino de fazer um look book.

A verdade é que te sigo nas redes sociais de olhos arregalados para a vida que levas.  Dormes onde podes, alimentas-te do que já sabias ser o melhor do mundo, as pessoas. O teu maior luxo não é ter tempo ou dinheiro, viajas sem qualquer luxo, o teu maior activo é a curiosidade, a inquietude e a honestidade que decidiste dar aos sonhos que vives. Não te conheço bem, mas acho que posso dizer, que o mundo devia estar cheio de “Pedros”.

Com vocês, Exmos. Senhores e Senhoras: Pedro Isidro.

 

 

 

QUEM É O PEDRO ISIDRO?

Aos 10 anos desenhava mapas de Europa, pintava bandeiras, memorizei todos os países europeus e respetivas capitais por ordem alfabética e tinha uma coleção de cromos das notas bancárias de todo o mundo.

Tenho 43 anos. Acabados de fazer. Nasci, e sempre vivi em Lisboa. Não quero viver em outro sítio. Amo esta cidade profundamente e todos os dias sinto falta quando não estou. Viajo sempre que posso, mas não sou de todo um nómada. Tenho raízes profundas em Lisboa de uma vida feita de amizades e amores.

Quando era miúdo tinha um sonho: Ir à Albânia. Fascinava-me que na Europa existisse um país onde era proibido ir e de onde era proibido sair.

Aos 15 anos fiquei feliz pela queda do muro de Berlim, o fim da cortina de ferro, a independência dos países bálticos e o colapso da União Soviética. Acompanhei com muita tristeza a guerra dos Balcãs, o desmembrar da federação jugoslava, os horrores do genocídio na Bósnia-Herzegovina, a guerra do Nagorno-Karabakh e a guerra do Kosovo. Vi com otimismo o renascer da Europa, as novas possibilidades de viagens, o desenvolver da minha cidade e país. Novas nações emergiam, novos horizontes se abriam, novas possibilidades, mais sítios para visitar. E eu queria conhecer a minha Europa antes de partir para outros continentes.

Quando as low cost finalmente aterraram em Lisboa, disparei pela Europa fora sozinho. Nunca fiz um interrail na adolescência. Não tinha companhia. Quando deixei de esperar pelos outros aprendi que viajar sozinho é das melhores experiências da vida. Gosto de poder escolher com quem quero estar e por quanto tempo.

A minha maior inspiração para viajar são sem dúvida os meus pais. No final dos anos setenta e início dos anos oitenta metiam-se num Fiat 127 e lá íam pela Europa fora regularmente. Na altura levava-se tudo atrás. Tendas, almofadas, roupas, panelas, tachos! Uma das minhas melhores recordações de infância é a minha mãe a cozinhar num mini fogão a gás na beira da estrada algures nos Pirenéus. Com 70 anos eles continuam a viajar regularmente. Já sem o carro.

Posso dizer que já viajei alguma coisa. Mas há ainda tanto por conhecer…

 

QUEM É O TEU GANG?

Não posso dizer que tenha um gang. Sempre tive vários gangs. O gang do liceu com quem iniciei uma vida profundamente boémia no início dos anos 90 (e mantenho), o gang das viagens, viajantes que fui conhecendo pelo mundo ou recebendo em Lisboa, com quem mantenho contacto e nos vemos quando coincidimos no mesmo país, o gang do “serviço”, de sítios onde trabalhei, relações forjadas em bons ambientes e que perduram.

E os amigos. Amigos de anos, amigos de ontem, sou rodeado de pessoas que amo e quero na minha vida sempre. Sou pedaços de todos estes gangs e eles são pedaços de mim e toda a minha vida e essência é feita da presença destes seres maravilhosos.

 

ÉS MAIS PÉ DESCALÇO OU PÉ CALÇADO?

Diria pé descalço. Diria pé calçado.Tanto durmo em esquadras de polícia malcheirosas por razões de segurança e partilho refeições simples como também lá vou parar (normalmente em trabalho) a hotéis de luxo e pequenos almoços intermináveis. Tanto tomo banhos de água fria num balde numa cabana perdida nas montanhas como às vezes (poucas) me encontro em quentes banhos de espuma com todo o conforto.

 

 

 

COMO É A PEGADA QUE DEIXAS?

Sou um entusiasta de Lisboa e fico feliz quando alguém que conheci em viagem venha à minha cidade por minha recomendação. Que os meus amigos desmistifiquem algumas preocupações ou preconceitos com alguns países e organizem viagens aos mesmos após a minha experiência.

 

 ONDE SONHAS METER O PÉ?

De forma geral, sonho meter o pé em todos os sítios onde não estive e voltar a todos onde já estive. De forma particular, quero muito viajar no Afeganistão. A hospitalidade afegã é lendária! Ao viajar por perto conheci outros viajantes que só têm coisas boas a dizer das suas experiências em Herat ou Mazar-Al-Sharif.

 

O QUE É QUE TE FAZ SALTAR A PÉS JUNTOS?

Salto sempre a pés juntos. Por tudo o que faço. Sou de impulsos. Quando quero ir, vou. Quando não quero, não há força que me mova.

 

DE QUE MATÉRIA SERIA O TEU GANG?

De boa disposição. De alegria. De muita dança na alma.

 

O QUE É QUE TE FAZ SALTAR A PÉS JUNTOS?

A inquietação e a constância. Tanto quero ir a todo o lado com toda a gente ao mesmo tempo como quero ficar quieto em casa, a ler ou ouvir música e entretido no meu hobby preferido: organizar mp3 (todos os meus ficheiros estão devidamente etiquetados).

 

O QUE É QUE TE FAZ TREMER DOS PÉS À CABEÇA?

Pensar em parar. Que um dia não terei faculdades para levar a vida como hoje em dia. Que um dia tudo acabará. Raramente penso nisso. Quero viver para sempre.

 

 

 

 

QUAL É A MELHOR COISA QUE TE PODEM DAR?

Lealdade, tranquilidade e discos portugueses dos anos oitenta em vinil.

 

ÉS MAIS PÉ NA MONTANHA OU PÉ NA AREIA?

Sou da montanha em viagem. As montanhas são ainda um destino novo, pouco usual, onde geralmente não passo muito tempo e assim despertam-me mais curiosidade e emoções novas.

Sou da areia em casa. Mergulhos na praia à hora de almoço, escapadelas cedo para meter o pé na areia ao fim do dia. Fins de semana passados no areal do nascer ao pôr do sol.

 

QUE SÍTIO NÃO PODEMOS PERDER? 

O vale de Wakhan no Gorno-Badakhshan, no Tajiquistão. Nunca me senti tão bem-vindo e parte de algo como nesta zona do mundo. É dos locais mais bonitos que conheço. É atravessado pelo rio Pianj e define a fronteira entre o Tajiquistão e o Afeganistão. Vê visitantes suficientes para que haja condições básicas, mas o estado das estradas e as mesmas condições básicas faz com que não atraia “turistas do conforto”. Mantém-se tranquilo, natural e, acima de tudo, belíssimo.

 

O QUE É QUE TRAZES NA MOCHILA?

Memórias. Boas memórias. Inspiração para me tornar melhor, mais hospitaleiro, mais aberto, mais disponível, mais curioso.

Envio também muitos postais, aos meus amigos e a pessoas de quem gosto para lhes fazer chegar um pouco do mundo que visito. Envio também postais a mim mesmo. Muitos postais, para quando chegar a casa lembrar-me de como foi bom.

 

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One comment

  • Bom dia,
    O Pedro Isidro tem algum blog, também gostava de o ler.
    Não consigo encontra-lo.
    Poderia ajudar-me.
    Obrigada

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