“E dissemos: isto é Luz. Abraçamo-nos e ficámos ali um pouco a olhar para as estrelas… Não! Nada disso.”

 

 

 

Quanto mais passeio e mais conheço, mais sublinho, que retirando a excelência da beleza das paisagens mais virgens, quem faz os locais são as pessoas. Podes ser dono dos m2 de terra mais suculento, mas se colocares um anormal a tomar conta, o paraíso vira inferno. Vais ter visitas, seguramente, porque toda a gente quer dar uma espreitadela ao paraíso, mas só as pessoas menos inteligentes, se demoram onde não são felizes. Não vai permanecer e não vai vingar.

E porque é que me atirei ao inferno de Dante quando vou falar deste pequeno pedaço de luz? Porque este sítio fica em Fátima e a conotação religiosa é incontornável.

Sou crente, mas não muito religiosa. Fátima a mim não me soa quando me falam em turismo ou alojamento local. Fátima é santuário, peregrinação, magotes de gente, Tia Alice (vá lá, que toda a gente fala no sítio), queixume, carrinhas de turistas, promessa e oração. Não apetece ir passar uns dia a Fátima em passeio, a não ser que vá em turismo religioso. Mas é um erro crasso. Primeiro, porque para além da magia espiritual, que uns sentem e outros repudiam, Fátima não é só o Santuário.

O destino move 2 milhões de turistas por ano, mas fica a perder, quem, mesmo no caminho da fé, não faz uns desvios piedosos para conhecer a riqueza do que há à volta. Mas já lá vamos. Agora até eu quero ver a Luz.

E a Luz vem da Ana e do Pedro. O sítio é o melhor reflexo de quem são, do que sentem e da família que têm. Só bebi uns copos de vinho com eles, teria virado umas pipas à conversa. Não é de instinto ou inteligência emocional que falo, é de pessoa boa, com paixões boas a fazerem coisas ainda melhor. Numa escala diferente, fizeram-me lembrar da fada Eduarda dos Moinhos de Ovil. Quando aqui se vem, aqui se fica.

Passa-se o portão azul marroquino com o relevo escavado de duas asas e temos um terreno cuidado, ladeado de flores, com paredes cor de pimentão a mostrar-nos para o caminho. São 15 quartos distribuídos pelas seguintes tipologias: 7 quartos superiores, 2 quartos deluxe, 3 suites, 2 suites superiores e 1 master suite. Logo na recepção encontramos uma equipa generosa, generosa é mesmo a palavra, porque te rodeiam de mimos e sorrisos. As salas de estar comuns são boas e confortáveis, têm livros e bebidas, uma mercearia de artigos portugueses exclusivos e uma zona de refeições que apetece mandar fechar e chamar os amigos.

Para os que adoram o pequeno almoço, nada lhe falta, dos smoothies vegetais, ao presunto, das panquecas de aveia aos sumos naturais, dos ovos cozidos aos estrelados, mexidos e mistos.

 

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Nós ficámos instaladas numa suite superior que tem uma mega cama de casal, uma banheira escavada na pedra, uma sala, uma mini cozinha e duas camas, perfeita para 8 pés.

O preço de um quarto duplo ronda os 100€.  Não é assim do mais barato que há, mas há poucos sítios onde me tenha sentido tão bem. E o valor exalta-se nas pequenas coisas: Não se ouve o mínimo barulho, as toalhas de banho são fofas, os lençóis são fabulosos, a cama é um ninho, o mini bar tem vinho e cerveja e as cápsulas da máquina nespresso são mesmo da nespresso (não gosto da cápsula mini preço no turismo rural dos 100€ por noite, não fica bem).  A água do duche tem mega pressão e a retrete tem cubículo próprio. Tudo pensado com detalhe de quem vive os detalhes.

O gang é gang, aprecia a inocência das melhores coisas e o luxo da ambições atrevidas. Quando tudo condiz, tudo diz. E este sítio não é um luxo é uma luz bem guardada no coração de um palco de fé, e a Ana e o Pedro são duas “senhoras lanternas”. Muito Obrigado:)

 

 

1. Quem são a Ana e o Pedro?

A Ana e o Pedro, (38 e 40 anos, respetivamente) são o fruto de 21 anos de vivências, aventuras, risadas, choros, amuos, paixão e muito, mas muito amor um pelo outro.

O Pedro, apaixonado por história e pela sua história, eterno saudosista dos tempos dos “avós”, vê em cada boa conversa uma oportunidade para contar e ouvir.

A Ana, com alma de bailarina e arquiteta de profissão, vive a vida num sonho de menina, onde criatividade e a sensibilidade se juntam à perseverança e à capacidade para colocar no papel outros tantos sonhos, de tanta outra gente. Gosta de sonhar e fazer acontecer.

 

2. Viram a “Luz” neste projecto?

Literalmente. Um dia antes de abrimos o Luz, era final da tarde e tínhamos acabado de instalar as luzinhas nas árvores. Deixámos a noite cair para, juntos, vermos o efeito que tinha sobre a “nossa” aldeia. Foi mágico!

Foi um chorar de emoção, um descarregar de sentimentos, uma sensação de “mais uma grande etapa concluída”, uma magia que nos deixou sem palavras. E dissemos: isto é Luz. Abraçamo-nos e ficámos ali um pouco a olhar para as estrelas… Não! Nada disso.

Depois da epifania e deste momento de “suspensão”, olhámos um para o outro e os nossos olhos espelhavam um nervoso miudinho, pois íamos receber o nosso primeiro hóspede no dia seguinte. Nem dormimos de tão ansiosos que estávamos.

 

3. De que é feito o vosso Gang?

“Aventura”, ou seja, sem medo de fazer escolhas na vida e de arregaçar as mangas para as conquistar.

“Respeito” pelas diferenças de cultura, raças, religiões ou credos, saber transformar esta diferença num acumular de sabedoria.

“Inspiração”, pois só com esta alavanca é que a pedra pode saltar mais longe.

3. O que é que vos faz tremer dos pés à cabeça?

As contas no final do mês (eheheh)… Mas o que nos faz mesmo tremer dos pés à cabeça são as injustiças, saber que há mesmo pessoas más ou com más intenções. Mas já aprendemos a lidar com isso, faz parte da vida e aprendemos muito com isso.

Em relação ao nosso trabalho, o que nos faz não dormir é saber que algo não correu como esperávamos ou sentirmos que alguém que nos visitou não “absorveu” a mensagem, ou seja, não superou as suas expectativas. Isso é desolador para nós.

 

4. Qual é a melhor coisa que vos podem dar?

Férias (eheheh, outra vez). Partilhar histórias de vida. Conhecer o que de melhor há nas pessoas e aquilo que elas podem partilhar connosco. O reconhecimento do nosso trabalho e a gratidão pelo trabalho da nossa equipa e de quem nos rodeia.

 

5. Que sítios não podemos perder nesta terra?

Muitos, claro. Mas há um (que pode ser um spot ou um momento) que não queremos deixar de propor (quer seja ou não seja crente) e que é na nossa terra: A procissão das velas no Santuário de Fátima, principalmente nas grandes peregrinações. É das experiências mais fantásticas que se pode ter. Há uma envolvência humana e espiritual inexplicável. Como diria o Papa Francisco, é um verdadeiro manto de Luz.

 

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| Obrigatório Pôr o Pé |

  • Visitar a Gruta da Moeda de bicicleta a partir da Luz Houses
  • Restaurante: Pátio do avô (secretos de porco preto com arroz de forno e o polvo)
  • Restaurante: Tasca do Chopin
  • Restaurante: O Crispim
  • Fazer uma massagem no Spa/gruta da Luz Houses
  • Visitar a Fórnea da Alcaria
  • Pia do Urso

 

 

Coordenadas GPS: 39.621625, -8.677137.
© Morada: Rua Principal, 78. Moimento (Fátima)
© Google Maps: “Luz Houses Fátima”
Vindo da autoestrada A1, saindo em “Fátima”, seguir a direção Rotunda Sul (bifurcação da direita), entrando na Av. Papa João XXIII. Seguindo em frente, virar no segundo cruzamento à direita em direção à localidade de Moimento. A entrada da Luz Houses fica a 300 mts, do lado esquerdo da estrada, devidamente identificada.

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